Coitado do Jorge (1993)

Poor Jorge

Produção Rodagem: Abr/Mai 1982

M/12

100 min

Drama  

Realização:  ·  Jorge Silva Melo

Argumento:  ·  Manuel Mozos  ·  Jorge Silva Melo  ·  Evelyne Pieller

Poder-se-á dizer que Jorge é um homem feliz. O Jorge vai para casa. É um dia como todos os outros e há fogo em toda a zona. Nessa noite ele vai encontrar-se com um industrial japonês, que lhe permitirá abandonar o seu cargo de professor e retomar o seu trabalho químico.
No entanto, quando chega a casa encontra lá uma pessoa. Uma pessoa que ele não conhece. Um assaltante. A partir desse momento, tudo será diferente.
[Sinopse Oficial]

[One could say Jorge is a happy man. Jorge comes home. It’s a day like all the others and there’s fire all over the area. That night he is going to meet a japonese industrial who will allow him to give up his place as a school teacher and return to his work as a chemist.
But when he gets home there’s someone in the house. Someone he doesn’t know. Who broke in.
From that moment everything will be different.]

Videos [#2]:
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Equipa

Entidades [#8]:
  • Tobis Portuguesa · Laboratório de Imagem
  • Zonal · Material
  • GER · Material
  • Nacional Filmes · Registo de Som (Dobragem)
  • Studio l'Équipe (Bruxelas) · Mistura de Som
  • Fundação Calouste Gulbenkian · Patrocínio
  • RTP · Patrocínio
  • Atalanta Filmes · Distribuição
Países [#3]:
  • Portugal (PT)
  • Espanha (ES)
  • França (FR)
Exteriores [#5]:
    Sintra | Praia das Maçãs | Lagoa de Óbidos | Caldas da Rainha | Moita |
Estreias [#2]:
  • 1993-10-10 | Festival de Dunquerque | Apresentação
  • 1998-05-16 | RTP2 | Estreia
Imagens [#2]:
  • ...

    Capa do VHS

Dados Técnicos:
Cor | Mono | 35 mm | 1.85:1 |

Outras informações:
Co-produção luso-franco-espanhola
Festivais e Prémios:
# 1993 - VII Encontros Cinematográficos de Dunquerque - Prémio ao intérprete masculino (Manuel Wiborg)
# 1993 - Taormina Film Festival

Texto de Jorge Leitão Ramos para o Expresso 21-01-1998:
"Coitado do Jorge" é o filme português que vai ficar com o pulsar interior dos anos do cavaquismo. É uma história de burgueses confortáveis num mundo onde está tudo a arder. Fisicamente, por fora, e vivencialmente, por dentro. É um filme por cujos poros sai um odor de desgosto, como se qualquer coisa de essencial se tivesse desagregado e os viventes não tivessem dado por isso. O protagonista (Jorge/Jerzy Radziwilowicz) está a fazer 36 anos e o seu mundo está convulso. Até que descobre um ladrãozeco (Ernesto/Manuel Wiborg) dentro de casa e se torna de interesse por ele, por esse mundo que lhe é exterior. Descobrimos, devagar, que a estabilidade é uma coisa frágil. Silva Melo não se limita a colocar os incêndios por toda a parte nesse principio de Verão em que aquela realidade está cercada, mas eles nem se inquietam. São os sentimentos que começam a aparecer crispados (há gritos, choros, feridas, desavenças, no fundo da imagem e na banda de som); são os valores sociais que começam a evidenciar-se ausentes; é um viver para coisa nenhuma que emerge.
Mas, na fascinação pelo outro lado, pelo mundo proletário (o termo não é nada rigoroso, usemo-lo para abreviar razões), a descoberta da sua vitalidade (carnal, sensual, antes de tudo) não oferece contrapartida, alternativa real. "Coitado do Jorge" é também um filme sobre o fim do marxismo enquanto perspectiva futurizando uma qualquer redenção. Mas não o é enquanto constatação de uma mecânica social fundada na luta de classes. De facto, o percurso que acaba por envolver Jorge e Ernesto não tem o mesmo fim para ambos. Porque um tem as saídas seguras, enquanto o outro navega à vista.
Filmado em 1992, apresentado em 1993 nos Festivais de Taormina e de Dunquerque, onde ganhou os prémios de melhor realizador e melhor actor (Manuel Wiborg), exibido nas quartas jornadas de cinema português de Rouen, em Janeiro de 1994, "Coitado do Jorge" é um filme que, até 1997, não foi exibido em Portugal, nem sequer na Cinemateca, por vontade expressa de Jorge de Silva Melo, entretanto em litígio judicial com a Inforfilmes, de Acácio de Almeida, a empresa produtora. A sua distribuição chegou a ser anunciada pela Atalanta, nunca tendo vindo a efectivar-se. Eis senão quando o filme aparece surpreendentemente no mercado videográfico (em Dezembro de 1997) no que é mais uma originalidade no interior do cinema português que, pelos vistos, se pode dar ao luxo de prescindir de uma carreira nas salas de um filme que não é exactamente um objecto descartável, quer o olhemos pelo prisma da dimensão da sua produção (é uma co-produção luso-franco-espanhola) quer o olhemos pelo seu valor estético. "
[Fonte: M2TM - http://mytwothousandmovies.blogspot.pt/]

Editado em VHS por Costa do Castelo Filmes / Vídeos RTP

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