Margarida Gil



Nasceu: 1950-09-07

Local de nascimento: Covilhã
Nacionalidade: Portuguesa
Sítio internet: http://apr-realizadores-actualidades.blogspot.pt/search/label/Margarida%20Gil
Dados adicionais:

Realizadora.
Após concluir os estudos liceais num colégio de freiras na sua cidade natal, MARIA MARGARIDA GIL LOPES veio para Lisboa em 1968 para prosseguir estudos universitários. Gostaria de seguir Belas – Artes e tornar-se pintora, pois desde cedo se dedicara ao desenho e à pintura, mas acabou por ingressar na Faculdade de Letras de Lisboa, onde se se viria a licenciar em Filologia Germânica, mantendo, a par da vida académica, diversos empregos para se sustentar. Começou por trabalhar na Santa Casa da Misericórdia, que, devido, à proximidade com o Palácio Foz, passou a frequentar, assistindo às sessões que a Cinemateca aí promovia e onde, durante um ciclo dedicado à obra do realizador alemão Friedrich Wilhelm Murnau, conheceu João César Monteiro, que terminava, por essa altura, a rodagem do seu filme Quem Espera por Sapatos Defunto Morre Descalço, assistindo a algumas filmagens desse filme. Através dessa ligação a João César Monteiro, foi-se aproximando do cinema e do meio cinematográfico português. Assistiu, também, a momentos de rodagem de Perdido Por Cem, de António – Pedro Vasconcelos, que conheceu, tendo conhecido também, pela mesma altura, por via do mesmo João César Monteiro, Jorge Silva Melo, Solveig Nordlung, Alberto Seixas Santos, Paulo Rocha, Fernando Lopes, entre outros. Entretanto, João César Monteiro propôs-lhe ser sua assistente de realização no seu filme seguinte, Fragmentos de um Filme-Esmola – A Sagrada Família, rodado entre 1972 – 1973, assinando Maria Margarida Gil.

Entretanto, deixara o emprego na Santa Casa da Misericórdia, passando por outros empregos; chegou a dar, inclusivé, aulas no Montijo, experiência essa que não lhe agradou. Quando sucedeu a Revolução de 25 Abril de 1974, não tinha qualquer emprego; era apenas estudante, estando a terminar o Curso. Conseguiu um emprego na Emissora Nacional / Antena 1, em 1974, fazendo um programa de rádio e dando alguma colaboração nos noticiários dessa estação. Voltou a trabalhar com João César Monteiro em Que Farei Eu com esta Espada?, em 1975, também como assistente de realização, e actriz. Nesse mesmo ano, através de uma amiga, ingressou na RTP / Radio Televisão Portuguesa, primeiro como colaboradora, depois como realizadora, tendo realizado vários documentários de cariz militante, próprio da época, onde fazia um pouco de tudo: da produção, aos textos, à locução, à montagem. Desses documentários destacam-se Clínica Comunal Popular da Cova da Piedade, sobre um antigo edifício ocupado pela população e, depois, transformado em Cínica a ter o primeiro planeamento familiar sério, que seria premiado no Festival de Televisão, em Leipzig;Para Todo o Serviço, sobre o primeiro sindicato de empregadas domésticas; Arca de Noé, que tinha como ponto de partida um texto do escritor Alface, seu amigo, e já com alguns traços mais ficcionais, como sucedeu, também, com Moinhos de Maré, um pouco posterior, ou com Uma História da Fotografia, com o fotógrafo António Sena. Entre 1979 e 1980, frequentou um curso de produção / realização e passou a realizadora oficial da RTP / Rádio Televisão Portuguesa, assinando a realização do primeiro programa cultural da RTP2, então dirigida por Fernando Lopes, programa esse intitulado Ao Vivo, com Fernando Assis Pacheco, Eduardo Prado Coelho, Augusto M. Seabra, e o actor Rogério Vieira, e foi desenvolvendo um trabalho em televisão, enquanto realizadora, assinando diversos programas com personalidades tão díspares, como João Benard da Costa, Inês de Medeiros, Mário Viegas, Marco Paulo, Júlio Isidro ou Herman José, dos quais se destacam: Festa É Festa, em 1982, Hoje Há Visitas, ou Hermanias, em 1984; fez, ainda, directos de concertos musicais e espectáculos Rock e outros trabalhos mais rotineiros. Mantinha, em paralelo, uma carreira cinematográfica com o seu marido, João César Monteiro, trabalhando nos filmes deste, Veredas, como assistente de realização e actriz, em 1977; O Amor das Três Romãs, como actriz, em 1979;Silvestre, como assistente de realização, em 1981. Em 1986, foi a produtora executiva de À Flor do Mar, produzido por Monteiro & Gil, a produtora que ambos formaram, a qual também produziu a sua primeira obra de longa metragem de ficção, como realizadora de cinema, Relação Fiel e Verdadeira, rodado em 1986, uma adaptação feita por Margarida Gil e Luiza Neto Jorge, da obra autobiográfica do Século XVII Relação Fiel e Verdadeira que Dá dos Sucessos da sua Vida a Criatura Mais Ingrata ao Criador, de Antónia Margarida Castelo Branco, filme este do qual também foi produtora executiva e onde participou enquanto actriz. Teve apresentação no Festival de Veneza em 1987 e só em Junho de 1989 estreou em Lisboa, no cinema S. Jorge. Logo de seguida, realizou o telefilme Flores Amargas, para a série Fados, da RTP / Radio Televisão Portuguesa, onde abordou o tema dos refugiados timorenses, então alojados no Vale do Jamor, próximo de Lisboa, e utilizando como intérpretes, não actores, mas alguns desses mesmos refugiados, criando um misto entre ficção e documentário. Realizou, ainda, outros filmes em vídeo para televisão, que têm como pano de fundo a vida e a obra Fernando Pessoa. São eles, Daisy – Um filme para Fernando Pessoa, realizado em 1992, com base na peça teatral Daisy, de José Sasportes e Luz Incerta, este para aLisboa 94 – Capital Europeia da Cultura, baseado nos textos A Hora do Diabo e Fausto, ambos de Fernando Pessoa. Neste filmes a utilização do vídeo é feita de forma ousada e até arriscada, numa vontade de experimentação e manipulação muito pouco usuais nessa época, na televisão portuguesa. Ainda em 1992 realizou a sua segunda longa – metragem para cinema, Rosa Negra, que, infelizmente, nunca teve estreia comercial. Nos anos subsequentes, realizou vários documentários em vídeo, destacando-se Maria, realizado para a Quinta Conferência das Mulheres, que teve lugar em Pequim e, sobretudo, As Escolhidas, sobre a vida e a obra da pintora Graça Morais, até que, em 1998, voltou à realização em cinema com O Anjo da Guarda. Entretanto, abandonou a RTP / Radio Telecvisão Portuguesa e passou à docência e investigação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Em 2003, voltou a colaborar com João César Monteiro, como actriz, no derradeiro filme deste, Vai e Vem. João César Monteiro havia-lhe dedicado o seu filme, As Bodas de Deus, em 1998.
Tem-se dedicado, desde 2000, à sua antiga paixão: o desenho e a pintura, prosseguindo a sua actividade cinematográfica, com algumas curtas – metragens, bem como a longa – metragem Adriana, que teve estreia comercial em 2005.

Participações [#46]

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