Ala-Arriba! (1942)

Produção Rodagem: Jun 1941/1942

94 min

Romance   Docuficção   Etnoficção  

Realização:  ·  Leitão de Barros

Argumento:  ·  Alfredo Cortez

Na Póvoa de Varzim, uma singela história de amor - marcada pela diferença de castas e uma latente rivalidade - serve de pretexto romanesco ao realismo documental sobre costumes genuínos, os conflitos de convivência e lancinantes dramas duma comunidade sólida e orgulhosa, tendo o mar por desígnio e protagonista...
[Fonte: José de Matos-Cruz, O Cais do Olhar, 1999, p.65]

“Este filme e a atitude de Leitão de Barros, indo ao encontro do quase insuperável, merecem-nos respeito. Além dum saudável «mea-culpa» dos pecados cinegráficos do realizador, a película é também uma das raras penitências do cinema nacional. O que ficará são as Marias do Mar, as Canções da Terra, os Ala-arriba, tentativas mais ou menos felizes, mas feitas a sério. (…)
[Ala-Arriba] Não é um documentário de estética cinegráfica, mas sim um documento de etnografia e folclore. (…) Os actuantes, quanto menos ali representem, quanto menos actores e mais pescadores forem, melhor. (…)
Dum salto L. B. passou do lindíssimo folclórico do cravinho atrás da orelha para o seco e agreste relato da verdade. (…) Em Ala-Arriba procurou apenas dar-nos a verdade, uma verdade sincera sem interpretações subjectivas (dele como observador), sem as adulterar ou condicionar às naturais ambições de estilo. Isto é tão insistente que empresta à película, se excluirmos o recurso habilidoso ao «diseur» e à cigana convencional, como que uma pureza e uma ingenuidade inesperadas. Mas, integrando-se na etnografia, no curioso documento humano, limita-se, por isso mesmo, na função de obra de arte. Tem qualquer cousa de museu, de rigidez, hirta, catalogada. A verdade por isso não conduz à arte. (…)
Torna-se curioso cotejar os dois critérios de L. B. nos seus dois filmes de intenções de humanização: Maria do Mar e este agora. O motivo é o mesmo – o pescador e o Oceano. Deve até ter lutado para não se repetir. No primeiro há preocupação plástica, no segundo a de ser natural. O alar do lanchão, notável em ambos os filmes, é um exemplo da disparidade dos dois critérios.
A primeira película foi feita sob a influência estética do cinema russo de então. Em toda ela há intenção de estilo, de plástico, e contém passagens tão belas que se agarram à nossa retina para sempre. Além da onda humana dos pescadores no areal, temos ali o vendaval de dor que vergasta aqueles vultos negros de mulheres no alto da escarpa, e toda a galeria, um pouco parada mas brutal, das máscaras dos pescadores e das velhas que oram e choram, etc. Na película de agora tudo isso é menos decorativo, dado com uma objectividade que nos convence que é de facto assim, mas que nos sugere menos beleza. Se o dramatismo daquelas belas sequências se unisse à vibração e sabor de verdade com que foi dada agora a luta com o mar das embarcações batidas pela tempestade, então sim, teríamos um trecho pleno de poder estético e emotivo, arte e verdade unidas, servindo-se entre si numa obra-prima. L. B. tem talento para o fazer.”
[Roberto Nobre in Seara Nova, nº 789 de 26 de Setembro de 1942, p. 205]

Videos [#2]:
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Equipa

Entidades [#6]:
  • Tobis Portuguesa · Estúdios
  • Lisboa Filme · Laboratório de Imagem
  • Sonoro Filme · Distribuição
  • Internacional Filmes · Distribuição
  • SPN - Secretariado da Propaganda Nacional · Patrocínio
  • Comissariado do Desemprego · Patrocínio
Exteriores [#1]:
    Póvoa de Varzim |
Estreias [#2]:
  • 1942-09-09 | Exposição Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza, Itália | Apresentação
  • 1942-09-15 | São Luiz, Lisboa | Estreia
Imagens [#9]:
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Dados Técnicos:
P/B | Esférico | 35 mm | 35 mm | 1.37:1 |

Outras informações:
Segundo o Secretariado da Propaganda Nacional-SPN, foi o primeiro filme português premiado no estrangeiro - Taça Biennali - em Veneza 1942.

Editado em DVD por Madragoa Filmes, em 2003

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