Perdigão Queiroga



Nome completo: Jose Manuel Nobre Perdigão Queiroga

Nasceu: 1916-06-12 · Morreu: 1980-05-08

Local de nascimento: Évora
Local de óbito: Alcoentre
Nacionalidade: Português
Dados adicionais:

Produtor, Realizador
Começou por trabalhar no cinema na área da montagem, nos Estados Unidos da América, onde estagiou durante 5 ou 6 anos. De regresso a Portugal trabalhou como Assistente de Imagem e realizou os primeiros documentários. Como colaborador da Lisboa Filme, em 1947 foi encarregado da realização de Fado, a sua primeira longa-metragem. Trabalhou como Director de Fotografia, Técnico de Iluminação e depois como Produtor. Fundou em Lisboa os estúdios com o seu nome. Dirigiu dois jornais de actualidades, nomeadamente O Visor.

“Mais dinâmico no campo das reportagens e dos documentários mais ou menos propagandísticos (filmes das viagens presidenciais a Angola e São Tomé, em 1954, e ao Norte, em 1962, por exemplo), sucessivamente director de dois jornais de actualidades, realiza, no entanto, oito obras no campo da ficção. Paradoxalmente, é a primeira – Fado – a mais conseguida (até tecnicamente) e a de maior êxito, um êxito quase tão grande como o de Capas Negras, de Armando Miranda, e pelas mesmas razões. A sua passagem pela comédia populista, ilustrada por Sonhar é fácil e Os três da vida airada, possui ainda um mínimo de vitalidade na conjuntura de marasmo do cinema nacional dos anos 50. Mas um remake colorido de As pupilas do senhor Reitor, galardoado com o Prémio do S.N.I., e uma «vulgarização» do Dom Roberto de Ernesto de Sousa, são já profundamente medíocres e o fracasso comercial total de O parque das ilusões fá-lo abandonar este campo. Havia montado estúdios próprios, que são ocupados pelos trabalhadores em 1975.”
[Manuel Machado da Luz]

“Poucos cineastas portugueses como Perdigão Queiroga, calejado no duro ofício de assistente de câmara uns bons dez anos, conheciam tão intimamente a coisa cinematográfica, o instrumento físico que produz as imagens animadas, o corpo material que vai desde a câmara ao projector de iluminação, do cenário ao adereço, do magazin carregado no saco negro ao charriot que se fixa no solo, do creme para caracterização à película encerrada na lata.
Todos os realizadores da época, sabendo desse seu verdadeiro sexto sentido, que se distinguia numa extraordinária atenção pela fidelidade das imagens, lhe pediam para detectar erros de composição, faltas de raccord, desequilíbrios de luz, presença de elementos estranhos no enquadramento, por vezes quase impossíveis de distinguir. Mas o seu olhar tudo descobria e, dessa maneira, Perdigão Queiroga viu reconhecido um talento singular.”
[Luís de Pina, in Lisboa no Cinema, 26 de Junho de 1994, Textos CP – Pasta 50, pp. 329-32]

Participações [#189]

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