Joaquim Lopes Barbosa



Local de nascimento: Porto - 1944
Local de óbito: ? - 2021
Nacionalidade: Português
Sítio internet: http://www.cinemateca.pt/CinematecaSite/media/Documentos/LOPES-BARBOSA-nota-Bio-(1).pdf
Dados adicionais:

Realizador
Joaquim Lopes Barbosa (1944-) nasceu no Porto onde, desde os 15 anos, esteve ligado ao Cine-clube local. Aos 23 anos mudou-se para Luanda e, três anos depois, instalou-se em Moçambique, após aceitar um convite para trabalhar no cinema. Questionado pela revista Plateia, no início de 1972, sobre o que representava o cinema para si, respondeu que "a 7ª Arte é uma forma de expressão das realidades concretas, que sinto, e deviam chegar a todos, como uma espécie de murro no estômago. Actualmente, a definição que dou ao cinema é a de que deve ser uma frente de guerrilha, actuando o mais positivamente possível, contra os tabus, as morais duvidosas e os lugares-comuns bafientos e anacrónicos."
[Fonte: Maria do Carmo Piçarra - https://diarioliberdade.org]

"Joaquim Lopes Barbosa nasceu em 1945, no Porto, foi para Angola no final dos anos 60. Là escreveu críticasde cinema, fascinado pelos novos cinemas doBrasil e do mundo. E là tomou consciência da violênciae da injustiça do colonialismo. Fez contactos com escritores -Viriato da Cruz, António Jacinto, entre outros -e militantes independentistas. Foi em Angola que assistiu ao filmeZé do Burro, e conheceu o realizador Eurico Ferreira. Detestou o filme masentendeu que em Moçambique havia meios e estruturas de produção, o que não era o caso em Angola. Decidido a fazer cinema, foi então até Lourenço Marques onde Eurico Ferreira o apresentou ao produtor Courinha Ramos. Convenceu-o a dar-lhe emprego na produtora e começou a trabalhar em publicidades e documentários.“Fizuma aprendizagem completa em 35 mm porque faziam tudo em 35 mm, com Arriflex. Comecei por ser assistente de camera, depois camera, montador e finalmente realizador.”Em Moçambique descobre Nosmatamos o cão tinhoso, livrode Luis Bernardo Honwana. “Conhecia a poesia angolana, nomeadamente o poema de Antonio Jacinto, Monangamba”cujo versoDeixem-me ao menos subir às palmeirasdáo títuloao filme. “O que o poema dizia em relação à vivência do negro trabalhador, encontrei esta mesma vivência no conto chamado “Dino”, inserido no livro “Nos matamos o cão tinhoso”.Mostra a Courinha Ramosa curta metragemO Regressoque tinha realizado em Angola e convence-oa dar lhe meios para realizar uma ficção inspirada doconto de Honwana. "O textojá era cinematografico, tinha tudo”.O produtor da lhe película 35 mm P&B, equipamento e equipa. O realizador acrescenta o parto no iníciodo filme, o cantor debaixo do imbondeiro. “Acrescentei também a morte do Mandala, e a revolta dos trabalhadores, que não está no conto. Os trabalhadores vão dar pancada no capataz que é salvo pelo maxambeiro. Depois no final do filme, o ritual de enterramento. E no fim vê se a partida de Dino.”Nas filmagens,Lopes Barbosa conta com o apoio do artista Malangatana "meu braço direito na construção do filme, no sentido de arranjar a sinergia africana para o filme, da parte dos actores, musicos”.Durante as filmagens ambos são interrogados pelaPide que os vigia de longe. Mas a rodagemcontinua porque “Courinha Ramos era um produtor que trabalhava para o regime, não estava suspeito de maneira nenhuma”.O realizadorsabia o que fazia: “Erauma proposta muito radical. As cedências que fiz: o capataz branco e não negro, criei o machambeiro, mas na fase da montagem achei que deveria dobrar em inglês porque se fosse português era ... atrevimento demais. Mas não tirou nada em relação à proposta de ação revolucionáriae de denuncia das condições em que as pessoas viviam em Africa, nas colónias portuguesas.”O filme vai à censura em final de 73 e é imediatamente proibido.Lopes Barbosa embarca precipitadamente para Lisboa e o filme fica nas mãos de Courinha Ramos. Dá-se o 25 de Abril, Courinha Ramos vem a Lisboa com o filme e juntos fazem copia 35 mm e 16 mm na Tobis. A estreia em Lourenço Marques é prevista para7 de setembro 1974, com ante estreia no dia 6 com imprensa e convidados,mas dão-se os acontecimentos de 7 de setembro, exatamente o data da chegada de Lopes Barbosa. “Courinha Ramos ficou com medo de o filme estar em exibição naquele período, quando os colonos se revoltam.”Em Maio 1975, volta a Portugal onde fica até final dos nos 80, realizando documentários. Finalmente regressa a Maputo onde tem feito trabalhos de produção, até recentemente.As citações são extraídas da entrevista de Lopes Barbosa, entrevistado por Orlando Sérgio emFantasmas do Império. Talvez tenha sido a sua última entrevista."
[Fonte: Ariel de Bigault - Cinemateca]

Participações [#33]

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