A Máquina de Emaranhar Paisagens (2001)

Experimental  

Realização:  ·  André Dias

O livro «A máquina de emaranhar paisagens» é de 1963. Trabalha com citações provenientes do Gênesis e do Apocalipse da Bíblia, de François Villon, de Dante Alighieri e de Camões. Além destas citações, Herberto Hélder formula outro de sua autoria – resta-nos questionar se ele já não é fruto de outra montagem.
Tais fragmentos constituem matéria-prima para que o autor posteriormente os submeta a inúmeras combinações. Eis essa matéria-prima:
E chamou Deus à luz Dia; e às trevas chamou Noite; e fez-se a tarde, e fez-se a manhã, dia primeiro. ... e fez a separação entre as águas que estavam debaixo do firmamento e as águas que estavam por cima do firmamento. (Gênesis).
e eis que havia um grande terramoto: e o sol tornou-se negro como um saco de silício: e a lua tornou-se como sangue. E as estrelas do céu caíram na terra, como quando a figueira lança os seus figos verdes, abalada de um grande vento: E o céu retirou-se como um livro que enrola: e todos os montes e ilhas se moveram dos seus lugares. E vi os mortos, pequenos e grandes,... e foram abertos os livros. (Apocalipse).
Irmãos Humanos que depois de nós vivereis, não nos guardeis ódio em vossos corações. (François Villon).
Ah, como custa falar desta selvagem floresta tão áspera e inextricável, cuja simples lembrança basta para despertar o terror. Denso granizo, águas negras e neves caíam do espaço tenebroso. (Dante).
Maravilha fatal da nossa idade. (Camões).
Rasgou os limbos a antiga luz das fábulas, luz terrível que os homens e as mulheres beijavam cegamente e a que ficavam presos pela boca, arrastados, violentamente brancos – mortos. E essa colina subia e girava, puxando pelos lábios os seres deslumbrados e aniquilados. E dentro desta luz e desta morte, os sons amadureciam. Em baixo, vermelhas, estalavam as cúpulas.
[Herberto Hélder]

Mais informações: Website externo

Equipa

Outras informações:
Realizado no âmbito do projecto “Dar o Corpo ao Manifesto” iniciado em 2000 pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Apresentado no segundo programa do Ciclo de Cinema e Vídeo no Início do Século 21, na Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna, em Dezembro de 2001.

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