O Rio do Ouro (1998)

Le Fleuve d'Or | River of Gold

Produção Rodagem: Jun/Dez 1997

M/14

103 min

Drama  

Realização:  ·  Paulo Rocha

Argumento:  ·  Paulo Rocha  ·  Cláudia Tomaz

Nas margens ensanguentadas do Rio do Ouro, uma «balada de ciúme», «um grande e horrível crime» ambientado num meio popular. Um velho casal casa-se. Ela é guarda-cancela, ele é o patrão de um barco-draga. Mélita, a sobrinha, cai ao rio, grita por socorro, António salva-a. Carolina «morre» de ciúmes.
Num comboio, um cigano nadinha vidente, o Zé dos Ouros, quer vender um colar a Mélita. Ai dele, «vê» o passado da inocente rapariga: numa vida anterior ela teria matado o amante e pintado com sangue dele o quarto do seu amor. Aterrado, Zé foge. Carolina vai atrás dele, rouba-lhe o colar e acaba por se tornar sua amante. Quer que o cigano lhe desvende o «segredo», lhe explique o que «viu».
Enquanto o velho António se sente cada vez mais atraído pela sobrinha, Carolina sonha: vê tudo vermelho de sangue.
O Zé já não tem medo de Mélita, quer deixar a amante. A gurda-cancela sente-se traída por todos, «vê» uma grande faca diante de si...
[Sinopse Oficial]

[…] O grande triunfo de O Rio do Ouro é a forma como se apodera das manifestações de cultura popular e as consegue transmitir numa singular fidelidade no que se refere ao seu espírito. Quem tenha memória deste tipo de manifestações (narrativas de tragédias de aldeias contadas e cantadas em festas e romarias, que era uma forma de transmissão oral desses acontecimentos de aldeia em aldeia da província) não deixa de reconhecer que o filme de Rocha surge como uma materialização perfeita dessa forma de "passagem" de voz a voz de um certo testemunho. E não tanto pela presença emblemática de uma dessas figuras (o cego na estação orientado por uma criança, num plano de singular pureza e força) ou pela toada das melodias que recuperam admiravelmente os seus modelos, mas principalmente pela forma como estão encenadas, e, em particular, a belíssima cena da festa popular, o São João com as três raparigas que cantam e que servem não só de "coro" e "eco" dos personagens e acontecimentos, como de "ligação" entre eles, insinuando-se e deslizando de uns para os outros, numa espécie de bailado cuja coreografia está em consonância com o tema da cantiga. Mas não é só na sua forma musical que o filme de Rocha se identifica com essas formas de cultura popular. Há também a paisagem que seduz mas também oprime e parece esmagar os personagens, sensação reforçada pelos ângulos de câmara, especialmente os planos captados da casa sobre o rio e a paisagem circundante. Dir-se-ia, aqui, uma "selva" que prende os personagens e os molda à sua "forma", mantendo-os numa "prisão" de onde apenas se foge pela morte. […] Mas o filme é também Isabel Ruth. Fora pensado para ela quando foi projecto nos anos 60, e foi retransformado para que ela lhe desse corpo e vida agora. […] O Rio do Ouro pode ser visto como a sua consagração. Ela não é apenas a actriz neste filme. Ela é a própria matéria viva que o alimenta, a seiva que o percorre, a música que o acompanha.
[Fonte: Manuel Cintra Ferreira in Folhas da Cinemateca]

Mais informações: Website externo

Videos [#2]:
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Equipa

Entidades [#9]:
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  • Câmara Municipal do Porto · Patrocínio
  • CCRN - Comissão de Coordenação da Região Norte · Patrocínio
  • Fundação Calouste Gulbenkian · Patrocínio
  • Atalanta Filmes · Distribuição
Exteriores [#5]:
    Vale do Douro, Portugal | Porto | Lamego | Mesão Frio | Porto de Rei |
Estreias [#2]:
  • 1999-02-06 | Rivoli, Porto | Ante-Estreia
  • 1999-02-19 | King - Monumental | Estreia
Imagens [#6]:
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Dados Técnicos:
Cor | 35 mm | 1.85:1 |

Outras informações:
Co-produção luso-franco-brasileira
Festivais e Prémios:
# 1998 - Gramado (Brasil) - Kikito à Melhor Fotografia (Elso Roque)

Editado em videocassete por Atalanta Filmes
Editado em DVD, em 2016 - Colecção Paulo Rocha Vol.2

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