São Pedro da Cova (1976)

45 min

Documentário  

Realização:  ·  Rui Simões

Série de 3 curtas-metragens.
Em 1795, o empregado do padre de São Pedro da Cova, enquanto cavava, na Quinta dos Valinhos, encontrou carvão. Para as pessoas da aldeia, iniciava-se uma fase dramática nas suas vidas. As minas de carvão e as suas consequências desencadearam uma série de acontecimentos que se prolongaram até aos dias de hoje. As minas foram fechadas em 1970. Muitas vidas foram destruídas e a saúde de milhares de mineiros sofreu danos irreversíveis. As minas deixaram atrás de si ruínas, fome, desemprego, miséria e analfabetismo.
[Fonte: Real Ficção]
O realizador Rui Simões chegou a São Pedro da Cova em 1976, a convite da Direcção-Geral de Educação Permanente, liderada por Alberto Melo, que tinha em curso uma campanha de alfabetização de adultos. “Fui convidado a realizar uma formação que levasse as tecnologias ligadas à imagem e ao som ao núcleo que sustentava São Pedro da Cova, o Centro Revolucionário Mineiro”, recorda o realizador. Foi a partir do trabalho realizado nessas sessões que o filme São Pedro da Cova, repartido em três curtas-metragens de 15 minutos, se desenvolveu: “Limitei-me a coordenar e a ser uma espécie de mestre de cerimónias no meio dos desejos deles”, diz Rui Simões.
O realizador, que criou entretanto a produtora Real Ficção, lembra-se perfeitamente do primeiro impacto que a vila lhe causou: “Foi o pior possível. Tudo aquilo era muito pobre, as crianças ainda de pé descalço. Na altura foi muito chocante, era talvez das aldeias mais deprimentes do país.” Em antítese com esse cenário, Rui Simões deparou-se com “uma vontade de evoluir notável”: “Tinham uma linguagem forte, consciente, lúcida em termos de classe. Tinham perfeita noção de que tinham sido explorados e, apesar de não terem formação para fazer mais nada, havia uma força revolucionária muito grande. A história sempre se fez a partir dos que mais sofreram, são os que mais puxam para a frente.” O cinema como “arma política” era nessa altura um medicamento de efeito lento. Mas houve efeitos que cedo se manifestaram: em 1977, o filme realizado em 36mm e a preto e branco foi a única produção portuguesa seleccionada oficialmente para o Festival Internacional de Cinema de Berlim.
[Fonte: Mariana Correia Pinto in Revista do Público de 29-3-2015]

Mais informações: Website externo

Equipa

Dados Técnicos:
P/B | 16 mm | 35 mm |

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